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Piteco da minha coleção
Quando comecei no bonsai as primeiras mudas que peguei para cultivar foram as que consegui em um viveiro do IBAMA e na Fundação Zoobotânica de Belo Horizonte. Íamos, eu e o amigo Bruno Santana , na volta da Faculdade, à esses viveiros e ficávamos garimpando mudas de Pau-ferro (Ceasalpínea férrea), Sibipiruna, , jabuticaba, Jequitibá, toda e qualquer muda de Ipê ou árvore interessante que passava pela frente. A parte artística, nessa época eu nem tinha conhecimento de sua existência. Não tinha a mínima noção do universo que teria pela frente.
Cereja-anã – “Eugenia Matosi”
Logo com as primeiras aquisições de livros e revistas importadas, tudo que via era novidade e ao me deparar com alguns trabalhos ficava mais encantado e deslumbrado. Kimura,Jhon  Naka, kawabe, foram alguns dos que me marcaram muito. Logo na sequência vieram a Revista Mundo do Bonsai e os Encontros Nacionais promovidos Por Vicente Romagnole com a vinda do Horst Krekeler da Alemanha.
Tudo isso somado à minha primeira ida a Europa em 2002 fez com que durante esse período eu me focasse nas plantas que via nos livros e revistas, ou seja, plantas exóticas e principalmente as coníferas com seus gins e sharis e os Acer com suas folhas vermelhas.  E ainda tem o detalhe de que a grama do visinho é sempre mais verde…  Cheguei até dizer que o Brasil era muito fraco de material para trabalharmos com Bonsai.
Piteco do amigo Zé de Curitiba
Mas mesmo encantado e com olhos para as exóticas, meu fascínio pelas nossas árvores e suas formas particulares ainda permanecia, e ainda ficando por um período meio que hibernado , voltou com muita força ao mesmo tempo que a minha cabeça se abria para as possibilidades que antes não percebia. Estavam na minha frente o tempo todo, e eu simplesmente, não conseguia perceber porque estava focado em um padrão muito diferente da minha realidade.
Pitanga – “Eugenia uniflora” -   Huang Chun Mu – Taiwan
Hoje tenho o prazer de dizer que estava totalmente equivocado ao dizer que não tínhamos material para Bonsai. Pelo contrário, temos uma material riquíssimo que é subjugado, ignorado ou mal explorado. Na realidade o que ocorria , falo no meu caso, é que eu achava que sabia fazer bonsai. E ao achar que sabia eu me perdia totalmente com suposições e preconceitos. Hoje acho que sei muito menos que achava que sabia à 7, 8 anos atrás e vejo que temos tanta e tão rica matéria prima autoctonia (nativa) que não precisaria de  árvore exótica (sem desprezá-las, é claro) para fazer Bonsai de excelente qualidade.
Jabuticabeira de Frenando Paz
Quero chamar a atenção para a forma como  devemos encarar o bonsai. Muita seriedade, respeito, compromisso e humildade, tanto em relação à árvore quanto em relação ao próximo e a si mesmo são impressindíveis para alcançar a excelência na arte. Devemos estudar a fundo tanto a parte artística quanto a técnica de cultivo. Devemos experimentar  muito, e trocar essas experiências, para que possamos otimizar essas informações compartilhando-as. E assim podermos tirar das nossas árvores o potencial que elas realmante têm.
Detalhe flor caliandra – Foto Zé.
Como é interessante o caminho do conhecimento… Quanto mais longe se vai, mais longe se está….
Voltando ao conceito do que é o  Bonsai: Arte de cultivar árvores em pequenos recipientes, modelando-as para que fiquem o mais próximo possível das velhas árvores na natureza.  É importante observamos e estudarmos exaustivamente as nossas árvores. Suas formas, proporções, ramificações, características como o clima, umidade tipo de solo naturais são muito importantes para todo oconjunto do trabalho. De fmaneira que, se formos indagados porque a modelamos daquela forma, ou porque usamos este ou aquele substrato ou adubo, tenhamos a segurança de dizer que o  fazemos   porque  é assim a sua forma natural, ou que esse é o que melhor atente suas necessidades.
Jabuticabeira “ Myrciaria cauliflora” da  minha coleção
Para quem quer se aprofundar na arte, ministrar cursos ou partir para  o lado profissional, a busca dos critérios e padrões artísticos internacionais são fundamentais para que se consiga um nível técnico realmente alto. E também para que o bonsai Brasileiro seja respeitado no exterior.
Com padrões próprios e pessoais, não conseguiremos alcançar um nível internacional. Não me refiro à pessoa que cultiva bonsai sem nenhuma preocupação ou pretensão artística, que a meu ver tem todos os benefícios que arte proporciona por estar em contato direto com a natureza, mas apenas isso…
Bougainvillea glabra- 80cm. Shen Chen Kun – Taiwan
“O sapo que coacha na lagoa desconhece a beleza do oceano.”
Termos consciência e assumirmos nossa ignorância é crucial para sairmos dela. Ninguém aprende aquilo que acha que sabe.
Bougainvillea glabra- 85cm. Yang  Chun Cheng – Taiwan